quinta-feira, 18 de março de 2010
oração para mover as pedras
terça-feira, 3 de novembro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
vicio solitário I
São tuas, as duas.
Mãos, que te tocam agora
a púbis própria.
Sutis e displicentes
Que descontrolam-se e descem mais,
Perseguem, masceram,
esfregam, esmagam,
Apertam, penetram
mas não encontram não.
As mãos, as tuas,
que te tocam agora
são mãos.
Os dedos que elas tem,
e que também são teus,
são sempre mais frios
do que o esperado.
Nem sempre macios,
mais sempre, mais cios.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Com que sonha essa mulher?
O que ela espera dos homens?
O que ela quer e pretende,
Daquele que chamará de seu?
Será que ela mesma sabe?
Será que ela já se compreendeu?
Há que se cuidar menina
Com aquilo que se pede a Deus,
Pois ele pode nos atender.
E nos atende todo dia,
Mesmo sem a gente saber.
E o que nós temos hoje,
Foi o nosso querer de ontem
Mesmo quando a gente já se esqueceu.
Fazemos pedidos profundos,
No silencio do nosso coração.
Queremos com urgência,
Temos tanta necessidade,
De um amor assim assado,
Que somente tempos depois,
Talvez nos será dado.
Quando já somos outros,
E no degrau seguinte
Lá mais acima, nos encontramos.
E já queremos outras coisas,
Fixamos novas metas
Diversas e mais elevadas,
Que o presente recebido,
Em que pese atrasado,
parecerá sempre menor,
Pequeno e inadequado.
Assim somos com os amores,
Com os recebidos e com os sonhados.
Quando estamos apaixonados
Recebemos a prenda inteira
E nos deixamos ficar ao seu lado.
O tempo passa e queremos algo mais
Pois o que já temos não nos basta
E o nosso ideal se gasta,
O coração sonha profundo,
Pedindo nova resposta.
Ver-lhe assim, em duvidas mergulhada,
Faz-me querer saber dos pedidos,
Que a Deus tem endereçado,
No silencio do seu pensamento
Ou na força do seu coração.
Quisera conhecer seu segredo,
Para saber se o tenho a mão
Mas quem sou eu pra saber de ti
Quando tão pouco sei dos meus.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
terça-feira, 4 de novembro de 2008
coração vazio.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
mulher manteiga
domingo, 5 de outubro de 2008
Compasso de espera
quinta-feira, 8 de maio de 2008
domingo, 27 de abril de 2008
sábado, 19 de abril de 2008
sábado, 8 de março de 2008
Desconsolo.
Pernas cansadas,
atrás das dunas, mais dunas.
Tudo igual, sem destino final.
Enfado, tanta areia
que desliza sobre os pés,
não me leva a lugar algum.
Lugar comum.
Chuva fina que cai, horas a fio. Infindável. Molha-me, mas não me lava. Escorre secular, tortura úmida, lembrança irritante que insiste em me dizer, impotente, que o sol, talvez não volte mais a brilhar.
Desesperança, matéria densa, que me constitui e me faz lama. A mim, matéria prima orgânica de fim anunciado. Oh, o fim! Certeza, que não chega ao fim. Tudo finda, menos esperar pelo fim.
terça-feira, 4 de março de 2008
Dendê ao vento...
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Os homens são animais de rebanho. Não serei ovelha.
Andarei sozinho e sem medo, sempre que for possível.
Contrariarei o coro dos contentes.
Desafiarei a falsa alegria do alarido dos amontoados de gente.
Recusarei a banalização do encontro. Não amarei a todos.
Não faço questão de que todos me apreciem.
Assumirei as minhas responsabilidades por mim mesmo.
Não depositarei no alheio, os fardos que são os meus.
Não participarei do pacto que faz da fraqueza, virtude.
Não enfeitarei com as cores do bem e da alegria,
a essa interdependência compulsória
que nos une a todos e nos condena, em servidão, ao outro.
A força impositiva que nos amalgama não requer o meu beneplácito.
A tua potencia, entretanto, também não me desnorteará.
Sei que não posso sempre só, mas sei que a solidão pode ser uma escolha.
Estarei entre os homens na cidade, comerei e beberei com eles,
Mas nunca me farei fácil apenas para agradá-los,
para cooptar a boa vontade da sua companhia.
Desdenho do calor covarde que conforta os que compartilham
a roda ao redor do fogo, temerosos de lançar o seu olhar
para a imensidão escura que jaz às suas costas.
Quero essa consciência sempre comigo, bússola a me guiar.
A todo o momento posso escolher partir,
deixar o grupo, opinar de modo diverso contra todo o senso comum,
a multidão não me intimidará.
Viajante solitário, não recuso o homem, o humano que jaz em mim,
Mas o quero de pé em seu orgulho e dignidade
e não como um mendigo das migalhas de afeto
dos favores e das boas vontades dos que são mais covardes do que eu..
Não temo que morte venha me colher em solidão.
Não lhe concederei, entretanto que me receba em condição de desamparo.
Sei que amizade pode existir e que ela é um acaso. O encontro amoroso uma loteria.
Sei que o raro e extraordinário é sempre exceção
Fraqueza e medo é que pretendem impôr-los como norma e como meta..
Se coopero é por me reconhecer incapaz de obter sozinho,
Mas a ninguém seduzirei para coopere comigo.
A autonomia de cada organismo é regida pelos ritmos do músculo cardíaco.
E em cada peito bate um só coração.
Cada pulmão respira somente o ar que lhes é necessário.
Que cada um ouse responder por si, eis a ponderação.
domingo, 4 de novembro de 2007
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
segunda-feira, 23 de julho de 2007





