domingo, 5 de outubro de 2008

Compasso de espera

Será que você não se esqueceu
de me mandar alguma coisa
que eu nem mesmo sei o que é?
De repente, eu me lembrei,
contei o tempo,
e vi que o tempo da espera já tinha passado. E que eu, mesmo sem saber,
esperava algo de ti
que nem mesmo sabia saber o que era...
E que havia algo de comum
nessa curiosa situação
de se esperar algo de alguem,
que nem se sabe mesmo o que é:
de ti eu ja havia esperado tanta coisa que eu achava que sabia o que era
e que hoje eu já não sei mais
e era de ti que ainda esperava.
Então caso você não tenha esse gosto
em só me fazer esperar me envie logo isso, isso que eu nem mesmo sei o que seja
para que eu possa voltar a saber
se ainda existe alguma coisa em mim
que eu ainda devo esperar de ti.

2 comentários:

Ramon Alcântara disse...

Belo. A espera de algo de alguém pode configurar o humor do tempo de quem espera. Há situações delicadas, em que o emissor guarda o objeto de envio, como na prolongação do gozo, com intuito de explorar a ansiedade mútua. Há situações, em que o emissor já não está na caixa postal desde sempre.

abzzz

Anônimo disse...

Muito interessante, como consegue envolver o leitor de forma tão apaixonante?

Me lembrou a teoria da Psicanálise sobre o desejo de desejar e a mulher histerica que sempre espera algo que venha do outro.

lindo, adoro seus poemas