quinta-feira, 8 de maio de 2008

Já não temos mais na noite os bebados inconvenientes a desafiar, raivosos e falastrões, ao coro dos contentes. Bebados que param o trânsito do bar, que vociferam, chamam de todos a atenção para a sua desconformidade para com a ordem das coisas. Ordem injusta e opressora que nos inclui a todos sonâmbulos e dóceis, a qual aceitamos e fingimos não ver. Hoje pululam os bêbados, solitários ou não, silenciosos sempre sofrem calados, culpados, afogam as mágoas no alcool mas não perturbam a ninguém. Já não se fazem mais bebados como os de antigamente.

Não me faltam os que me repreendam Inclusive uma parte de mim mesmo: És um presunçoso, repetem-me, repito-me. Queres demais, ó inseto, chamado homem De uma vida que nunca te fez essas promessas. Reivindicas como uma fera ferida, Paraísos de encontros, vozes cálidas que te ouçam sempre Regaço morno que te acolha E que nunca te digam não. E tornas este quadro mais patético, ao insistires nesse equivoco maior deste estado de engano geral que não reconheces, como a vida, a tua própria: Querer que o que tu queres, Seja-te dado, ó, por um outro humano, por um outro humano. Desejo insano! Que eles não são feitos para dar, antes, são, como tu, que te julgas neste momento, estares lá no alto,acima dos demais. O que queres, não é senão o que todos querem, Só delicias e cousas e tais, Querem o tempo todo, como tu: Sempre receber, receber, receber, ingratos e insaciáveis sugadores de tudo o que lhes pode dar o maior prazer, ter do outro, o tudo igual, o tudo total, que à ninguém se dispõem à dar.

domingo, 27 de abril de 2008

Busco gotas de sentido, Perdidas nas frestas do mundo. Vida e morte que não para, No sucesso das gerações escamas de dentro para fora no ventre do tempo-rei que vêm e que vão, num ritmo cego humanidade, estertor permanente dos partos e dos velórios. Epitélio gasto e descartável me sabe Célula opaca e cansada, eu sou. De um tempo que já foi o meu, não será jamais. O fogo celeste renova incessantemente a natureza, E somente a nossa estupidez sustenta Extrair das memórias a ilusão Que o mundo já foi melhor um dia: terá sido? Tempos de antes, quando éramos jovens. e a inconsciência tudo nos permit Ao gosto do freguês: sexo, drogas e rock in roll Utopias, gente jovem reunida. Mas o mundo hoje, é hoje, ainda que ele não seja, tanto assim para mim. Tanto quanto terá sido um dia. Terá sido? Na bizarrice do gozo, sexo, comida e consumo Nunca houve nada de novo sob o sol que se põe todo dia-dia. Tagarelice infindável, tantas palavras ocas e vazias Que nenhum sentido é capaz de traduzir. Se não há nada de novo para dizer Porque então insistir na poesia?

sábado, 19 de abril de 2008

//O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz incovenientemente, não procura os seus interêsses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.// Mundos partidos, parte de mim, parte de ti. Partindo me levas consigo. Em parte. Partindo, ficas em mim. Em parte. Ficas e levas, nos pedaços perdidos, fora do comum. Do comum de dois. O que eu tanto sei de ti, o que tanto sabes de mim, não nos faz um saber de nós: "vida , vento leva-me daqui". Nossa senhora Desatadora dos Nós, valei-nos, nessa hora!

sábado, 8 de março de 2008

Desconsolo.

Pernas cansadas, atrás das dunas, mais dunas. Tudo igual, sem destino final. Enfado, tanta areia que desliza sobre os pés, não me leva a lugar algum.

Lugar comum.

Chuva fina que cai, horas a fio. Infindável. Molha-me, mas não me lava. Escorre secular, tortura úmida, lembrança irritante que insiste em me dizer, impotente, que o sol, talvez não volte mais a brilhar.

Desesperança, matéria densa, que me constitui e me faz lama. A mim, matéria prima orgânica de fim anunciado. Oh, o fim! Certeza, que não chega ao fim. Tudo finda, menos esperar pelo fim.

terça-feira, 4 de março de 2008

Dendê ao vento...

Oh, quanta magia, nas folhas de um dendezeiro que se agitam, velozes ao vento. Não haverá por certo formula matemática capaz de descrever o seu intenso movimento!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Os homens são animais de rebanho. Não serei ovelha.

Andarei sozinho e sem medo, sempre que for possível.

Contrariarei o coro dos contentes.

Desafiarei a falsa alegria do alarido dos amontoados de gente.

Recusarei a banalização do encontro. Não amarei a todos.

Não faço questão de que todos me apreciem.

Assumirei as minhas responsabilidades por mim mesmo.

Não depositarei no alheio, os fardos que são os meus.

Não participarei do pacto que faz da fraqueza, virtude.

Não enfeitarei com as cores do bem e da alegria,

a essa interdependência compulsória

que nos une a todos e nos condena, em servidão, ao outro.

A força impositiva que nos amalgama não requer o meu beneplácito.

A tua potencia, entretanto, também não me desnorteará.

Sei que não posso sempre só, mas sei que a solidão pode ser uma escolha.

Estarei entre os homens na cidade, comerei e beberei com eles,

Mas nunca me farei fácil apenas para agradá-los,

para cooptar a boa vontade da sua companhia.

Desdenho do calor covarde que conforta os que compartilham

a roda ao redor do fogo, temerosos de lançar o seu olhar

para a imensidão escura que jaz às suas costas.

Quero essa consciência sempre comigo, bússola a me guiar.

A todo o momento posso escolher partir,

deixar o grupo, opinar de modo diverso contra todo o senso comum,

a multidão não me intimidará.

Viajante solitário, não recuso o homem, o humano que jaz em mim,

Mas o quero de pé em seu orgulho e dignidade

e não como um mendigo das migalhas de afeto

dos favores e das boas vontades dos que são mais covardes do que eu..

Não temo que morte venha me colher em solidão.

Não lhe concederei, entretanto que me receba em condição de desamparo.

Sei que amizade pode existir e que ela é um acaso. O encontro amoroso uma loteria.

Sei que o raro e extraordinário é sempre exceção

Fraqueza e medo é que pretendem impôr-los como norma e como meta..

Se coopero é por me reconhecer incapaz de obter sozinho,

Mas a ninguém seduzirei para coopere comigo.

A autonomia de cada organismo é regida pelos ritmos do músculo cardíaco.

E em cada peito bate um só coração.

Cada pulmão respira somente o ar que lhes é necessário.

Que cada um ouse responder por si, eis a ponderação.

domingo, 4 de novembro de 2007

Tenho que dizer que aonde vou, voce vai comigo como uma lembrança suave no meu coração... Advertido para não chamar de amor a este tão doce bem querer ele fica assim, sem nome, vagando por meu corpo, pelo meu coração, clamando que eu lhe nomeie... Reluto no interdito e desobedeço rebelde: eu te amo!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Contigo en Habana vieja. En las calles de Habana yo no camino solo. Yo traigo en mi alma una fuerte memoria de tu presencia Yo la traigo en mi corazón, por entera, completa. Una presencia dulce y armoniosa, a despecho de cualquier otra emoción. Si, yo tengo a ti, cuando camino por las calles de Habana vieja. El sueno del socialismo contrasta con el descuido de las casas, Con la pobreza del ambiente, con el roto general, con el efecto del tiempo, que maltrata a todo que es vivo, a todo que es sólido. Tener a ti, en mi corazón, hace cambiar mi apreciación de tan fuerte realidad. Yo soy la Habana vieja. Mi cuerpo roto es Habana vieja. Mi deseo represado es Habana vieja. Y tu? Tú eres el olor fuerte que viene desde el mar que circunda a isla. Olor que invade mi nariz, cuando camino, olor de sexo joven, olor de mujer madura. Tu eres la fuerza de la ola que sobrepasa al Malecón y explota en espumas en la calle. Fuerza e delicadeza que a todo limpia, que a todo purifica. Yo soy la calle de Malecón limpio por sus aguas fuertes. Yo soy cada niño, cada hombre, cada mujer, cada viejo en las calles cuando camino. Yo soy el que, en Habana, ama y odia a la revolución. Y yo lo soy porque tengo a ti en mi corazón. Yo soy el limpio. Yo soy el sucio. Yo podría ser otro cualquier, mas yo soy en las calles de Habana, uno mismo. Lo que tiene a ti en mi corazón. Yo soy lo que vive, respira y ama a tuya presencia en ese momento que estoy tan lejano de ti. Ó mi amada, yo camino por Habana vieja, y tu espíritu, tal cual a un ángel, mi acompaña, en todos os lugares por lo cuales mi voy.
Te estrano mucho nena!

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

medo
Retido o saboroso fluxo por tantas duvidas e inquietações o amor se faz morte, constrição e invade o sangue que circula numa angustia que macula mete medo e me faz mal... E fica urgente saber o quanto em ti se reprime o teu desejo de saber de mim, apesar do pacto auto imposto de fazer da distância, solução. Tu te lamentas por toda essa impossibilidade? Pensas sempre em mim, minha querida? Pensas assim, no regular? Te custa e te aflige, o esforço para não pensar? Olvidar-se de toda a doçura de que sabemos compartilhar? Tens medo de me perder, nessa arriscada opção? Diga -me agora, por favor, estaríamos postos, um em relação ao outro, na mesma falta, no mesmo pesar? Se temo em ti, que se enfraqueça o teu amor, é porque temo em mim o poder e os efeitos dessa seca glacial que calcina as tenras e delicadas flores na falta do sol e na escuridão. Temo deixar de amar-te por pura incompreensão, tudo isso, um efeito de medo, pavor de um futuro onde tu não exista mais.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Do amor indizível Tragam me as crianças novinhas nascidas do útero de mulher, com seu riso tenro, doce e desdentado que eu preciso muito delas... Que venham também os outros animais pequenos. aqueles macios, como os gatos, coelhos, filhotes de cães de olhos cativantes e sedutores; Convoco as réstias de luz nas frestas da porta holofotes que iluminam a dança leve das partículas em suspensão balé mágico, lembrança da infância;
Insurja instantâneo todo o poder do amanhecer, triunfo imperial do carrossel solar em sua majestade, força e leveza, certeza a tudo iluminar, sem ameaças e alardes, de quem se sabe senhor da rotina dos dias ao sorver com delicadeza,
o orvalho da pétala em flor. A tudo mais que há e que existe, do mais belo e do mais delicado, que venha agora para me socorrer eu convido, intimo e conclamo: venha estar comigo nessa hora, em que eu preciso tanto de sua companhia. Pois quero falar sobre o meu amor e sobre a mulher a quem amo tanto, mas não tenho as palavras.
Ó desdita, ó fracasso. Elas me faltam, todas opacas, pequenas, mesquinhas. Quero falar, quero dizer, quero gritar mas tudo o que consigo é apenas esse entorpecimento,
dos lentos movimentos, que desistem em seu nascedouro, sábios da sua incompetência e da sua vocação para o fracasso... Ó meu indizível amor, que em seu mero existir asfixia e estrangula todas as minhas tentativas de dizer-te. Tão próxima e tão distante, tão linda. Tão delicadamente linda, inatingível às palavras e aos gestos, cometa olímpico que risca o céu encanta os olhos, surpresa instantânea.
Quero o poço dos teus olhos,
Quero me afogar em tão boa companhia Quero não ser, desistir de qualquer coisa, Abdicar de qualquer presente em que não figures como o futuro. Quero ser em ti, quero ser contigo, Quero ser inteiro, um pedaço teu, Quero que tu me sejas, ainda que impossível Ò meu amor, meu indizível amor.

domingo, 22 de julho de 2007

Você, qual um furacão,

deixou em sua passagem

um rastro fundo,

nos quintais do meu coração.

Desmantelou telhados,

Rodopiou os meus pontos cardeais

Fez-me experimentar potencias e intensidades,

com gosto de quero mais.

Hoje eu sinto a tua falta, é verdade,

Mas sem ti; tenho que confessar

Sem ti, depois de ti,

Tornei-me alguém mais e melhor.

Um humano mais exigente,

com a qualidade da gente

Que quero para estar comigo,

Principalmente para aquela gente intima

Que eu escolho a dedo

e a quem me dedico e chamo de meu amor.

Melhor, pois sei mais do que quero

Quando penso querer alguém.

Mas tu me fizeste bem e me fizeste mal,

Elevei a minha exigência

Ampliei o meu ideal.

Querer alguém depois de ti,

E sempre querer a ti depois de ter alguém.

Inevitável comparação!

Quando lembro de tudo que tivemos

Quando lembro de como tivemos tudo

Recordo-me sorrindo do enigma

Que diz que o tudo não é para todos

E só para os que são capazes de suportar.

sábado, 7 de julho de 2007

Condoreiro

Volto a viver sem medo. Segurança só no amor!

Fio tênue que nada assegura, mas nutre, alimenta

como o ar seco e rarefeito do alto das montanhas.

As ondas me varrem em banhos de emoção,

ativam os meus circuitos, põe de pé a minha espinha dorsal

Aprumam meus olhos e me fazem mirar o céu

Vejo o azul, as nuvens, o sol, vejo estrelas ao meio dia

em pleno planalto central do Brasil.

Me possui uma voragem de leveza

que contradita toda a carga de pessimismo

que assola o planeta.

E tudo isso apenas porque o meu amor

me deixou um bilhete lindo,

em que ela diz que tambem gosta de mim!

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Pondo na rua... Um homem apaixonado
pode parecer insano,ridículo,
exagerado, rompido com a boa regra
de pensar muito antes de dizer.
Um homem apaixonado
só pela simples presença
da mulher a quem ama
diz, sem pestanejar: eu te amo!
E sem medir o sagrado dessas palavras,
ele pode parecer falso ou leviano...
Hoje eu me sinto ridículo, insano,
exagerado, rompido com a boa regra... E tudo isso, pela forma como o meu amor me olhou quando eu lhe disse: eu te amo!
Mas o que meu amor não sabe
é que quando estou longe dela
é que a amo mais...
Que é quando estou calmo
e busco a verdade que existe em mim,
evoco a sua lembrança, tantos detalhes, é que eu sei como é grande, como é imenso, o meu bem querer.
E então eu digo baixinho
só pro meu coração escutar:
como amo a essa mulher!”

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Deixar partir.

Se nas saudades de hoje Quando recém te vi, Só de imaginar, Adivinho as do amanhã Quando partirás para tão longe, Que triste panorama O meu futuro encerra. E se na minha boca Não soluça um pedido Para que fiques. Não murmura a intensidade Como te quero comigo, È que mantenho a ferros, Agrilhoado e mudo, o monstro egoísta Que habita em mim. Deixar voar a borboleta Consentir dividir com outros O esplendor dos seus azuis. Aceitar que as plantas aspirem ao sol Sem tolher a sua copa Quando esta se distancia do solo Exige, coragem e covardia De um coração tensionado entre o medo e a esperança. Quando o agir e o não agir Convergem para uma mesma desgraça. Mundo sem sentido Sentido sem mundo. Corajoso e covarde Despedirei-me de ti Sem um pingo de certeza De ter agido com retidão. Moira, o destino não poderá Ser por mim cobrado das conseqüências dos meus gestos sem ação. Vá borboleta! Cresça frondosa arvore! A memória dos teus azuis O frescor da sua copa altaneira Sempre me informarão de ti E sempre me lembrarão confuso Da alegria de saber Que foste minha um dia e por um pouco, muito pouco, Não o seguistes sendo.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Deleite

Numa noite de lua cheia, entre o sonho e a realidade, eu mergulhei no teu olhar. Nadei nos lagos de tua alma doce me perdi com gosto nos teus labirintos e desejei ficar assim te olhando, desafiando o fio fino do tempo, driblando as horas, até o dia raiar. Os olhos que então me destes em tão delicado desnudar-se, em que cedes a cada etapa muito mais do que eu mereço, aquecem o coração e te fazem tão querida.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Você me queria e eu sem o saber, sabia Mas nada fiz a respeito, impedido pelo proibido, que a mim mesmo me proibia. E você me queria. Agora que mudei de lado, fiquei errado? Era para não me ter? Era só pra me querer? Que gosto é esse que ama pelo avesso, sonha com o impossível, recua diante do sensível? Agora é minha vez de te querer querendo querendo que tu me queiras muito. Convoco a tua coragem para atravessar imagem e com seu desejo se haver agora que já dei conta do meu. Serei entretanto paciente num tanto certo que possa te trazer para perto, perto suficientemente perto para que de olho aberto você possa me querer.

sábado, 23 de junho de 2007

No tempo certo Minha querida,
Não te farei um poema precoce! Não te chamarei de flor e de raio de sol Não te direi que és doce e gentil Não o direi, antes da hora. Esperarei, paciente, que as rimas se imponham Que o tom lilás da violeta me acuse, que o teu reflexo no espelho bizotado, tudo ilumine num arco iris de luz. Esperarei que a tua doçura me afogue no gozo de uma gentileza geral. Então, e só então, não porque eu o tenha feito, serás tu mesma o poema que a mim se ofereceu.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Meu amor difícil
Teu nome cai e não tenho mais forças para sustentá-lo, forte e quente , rente com o meu coração. Ai como me dói, vê-lo cair, eu, que te prometi amor eterno, me revelo, assim, falso, fraco e mentiroso. Humano demasiadamente humano. não suportei o fustigar dos ventos o frio gélido em minha alma e toda a desesperança do teu silêncio. Mil vezes mirei em busca dos sinais de que te importavas ou padecias tanto por ele, tanto o quanto eu sofria. Mil vezes encontrei o vazio da tua resposta, o eco invertido das palavras, as que nunca me oferecestes. O teu nome cai de minha boca e nessa queda vai ao chão. As mãos, as minhas , não se movem em seu resgate. Não vou devolvê-lo ao altar da minha devoção. Meu amor, que terror, volto a viver sem o nome teu, perco um pedaço da minha paixão.
jogo de sedução Você me queria e eu sem o saber, sabia Mas nada fiz a respeito, impedido pelo proibido, que a mim mesmo me proibia. E você me queria. Agora que mudei de lado, fiquei errado? Era para não me ter? Era só pra me querer? Que gosto é esse que ama pelo avesso, sonha com o impossível, recua diante do sensível? Agora é minha vez de te querer querendo querendo que tu me queiras muito. Convoco a tua coragem para atravessar a imagem e com seu desejo se haver. Agora que já dei conta do meu... Serei, entretanto paciente paciente num tanto certo que possa te trazer para perto, perto suficientemente perto para que de olho bem aberto você possa me querer.