bóia farol meta em desespero tudo puxa para o fundo dos abismos o mais banal dos instintos rege por total o ser salvar-se para encontrar ponto de apoio sobre-viver emerso ao custo do assassinato do poema quem se importa fazer da palavra poema coisa tão banal constranger as musas deixar em maus lençóis a poesia tratá-la sem pudor mero suporte socorro coisa palavra usada nos ritmos cardíacos renais venais do corpo em desespero que não quer morrer legitima defesa gosto gorduroso da vida
Duas vidas como as nossas
tal qual paralelas parecem seguir
que somente no infinito
tem a chance de se encontrar...
Ainda bem que, desmentindo essa hipótese,
já nos encontramos uma vez...
É por isso que imagino
como coisa bem possível
que, quem sabe outra vez, de novo,
a vida feita surpresa,
faz seu caminho cruzar com o meu!
Se nas saudades de hoje, quando recém te vi,
só de imaginar, adivinho as do amanhã
quando partirás para tão longe,
que triste panorama o meu futuro encerra!
E se na minha boca não soluça um pedido para que fiques;
não murmura a intensidade como te quero comigo
é que mantenho a ferros, agrilhoado e mudo,
o monstro egoísta que habita em mim.
Deixar voar a borboleta, consentir dividir com outros,
o esplendor dos seus azuis;
aceitar que as plantas aspirem ao sol
sem tolher a sua copa, quando esta se distancia do solo,
tudo isso exige coragem e covardia,
de um coração tensionado, entre o medo e a esperança,
quando agir ou não agir converge para uma mesma desgraça.
Mundo sem sentido, sentido sem mundo!
Corajoso e covarde, despedir-me-ei de ti
Sem um pingo de certeza de ter agido com retidão.
Moira, o destino, não poderá ser cobrado, por mim,
das conseqüências dos meus gestos sem ação.
Vá borboleta!
Cresça frondosa arvore!
A memória dos teus azuis, o frescor da sua copa altaneira
sempre me informarão de ti, sempre me lembrarão confuso,
da alegria de saber que um dia, foste minha,
e por pouco, muito pouco, não o seguistes sendo!
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Saudades de você! Curiosas saudades... Fragmentos poderosos que constroem uma simpatia que todavia carece de lastro, de vida vivida, de acontecências comuns... Mistérios do bem querer de almas, as vezes tão descompassadas no concreto das coisas, entretanto imaginosas de bons encontros, boas palavras... de um compartilhamento de sossêgos... Será menina ...? Aqui estou reconstruindo o meu ser para outros futuros... Tudo vive e eu ainda não me aquietei! Hora dessas apareço para um café, mas careço de convites... Sem fotitas no orkut e sem saber tanto de memoria, voce vira pura imaginação...!
Se eu te acho pela frente, assim tão diferente, eu juro que eu te cato e aí, só mistura e confusão!Nem rei, nem majestade, da missa só sei a metade, e se o tempo te fez bem,os teus olhos me dizemque ele, fez bem para mim também.Nunca seremos os mesmos,dona moça! O ontem é depois que dormimose o hoje depois que acordamos, a melhor memória é do agora...cuidado que já estou indo te pegar!
Desalojar-me do conforto,desencaixar e fazer rolar as pedraslivrando-as do lodo,
colocar tudo em movimento, de novo...Eita gostinho besta, esse, meu Deus!
Fazer a vida triunfar a cada instantepor uma vontade assim tão moventesubverter a estabilidade decadente desdenhar da morte que tudo paralisaenojado do igual, vomitar o morno,jogar-se no ártico ou nos trópicospois nos extremos o que queima
renova a naturezaem estado permanente.
Refazer-se no fogo; dissolver todo espírito indolente.Eis-me aqui senhor, espírito inquietado,superando o cansaço, fazendo-me outro novamente!
"Que a água volte à água, que o fogo arda,
que o ar circule, que a terra caia sobre a terra,
pela virtude do pentagrama que é a estrela matutina
Em nome do tetragrama,
que está escrito no centro da cruz de luz."
Amém!
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Huumm! Que pena!
O trator do amor
não nos atropelou.
E ficamos ali, de esquina
só fazendo cena,
jogando conversa fora
querendo que a vontade quisesse
e fizesse tudo por nós dois.
Mas não deu meu bem,
foi mal mas foi por pouco.
Ficamos assim no normal
e não nos pusemos loucos.
A mão que me toca solitária
ao meu sexo solitário
é a minha mão.
O gesto displicente
de quem assim se coça,
caça algo, quer o saiba ou não.
Que cresce e aparece
Clama e endurece.
Ensurdece, para as vozes da razão.
Rio/maio 2002
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Com que sonha essa mulher?
O que ela espera dos homens?
O que ela quer e pretende,
Daquele que chamará de seu?
Será que ela mesma sabe?
Será que ela já se compreendeu?
Há que se cuidar menina
Com aquilo que se pede a Deus,
Pois ele pode nos atender.
E nos atende todo dia,
Mesmo sem a gente saber.
E o que nós temos hoje,
Foi o nosso querer de ontem
Mesmo quando a gente já se esqueceu.
Fazemos pedidos profundos,
No silencio do nosso coração.
Queremos com urgência,
Temos tanta necessidade,
De um amor assim assado,
Que somente tempos depois,
Talvez nos será dado.
Quando já somos outros,
E no degrau seguinte
Lá mais acima, nos encontramos.
E já queremos outras coisas,
Fixamos novas metas
Diversas e mais elevadas,
Que o presente recebido,
Em que pese atrasado,
parecerá sempre menor,
Pequeno e inadequado.
Assim somos com os amores,
Com os recebidos e com os sonhados.
Quando estamos apaixonados
Recebemos a prenda inteira
E nos deixamos ficar ao seu lado.
O tempo passa e queremos algo mais
Pois o que já temos não nos basta
E o nosso ideal se gasta,
O coração sonha profundo,
Pedindo nova resposta.
Ver-lhe assim, em duvidas mergulhada,
Faz-me querer saber dos pedidos,
Que a Deus tem endereçado,
No silencio do seu pensamento
Ou na força do seu coração.
Quisera conhecer seu segredo,
Para saber se o tenho a mão
Mas quem sou eu pra saber de ti
Quando tão pouco sei dos meus.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
no sexo, meu amor,
o que lhe falta
é um pouco de bom humor.
Que o sexo
mesmo o mais apaixonado
não há que ser sério, sizudo
e mesmo o mais tarado
antes que tudo
que seja bem humorado.
um penis e uma vagina
pouco podem prazer
se não o fazemos por merecer.
Ai meu pai, ai meu senhor,Dai-me essa mulher para mimOu dai-me outra, igualzinha assimque seja do jeito que essa é.Que seja inteligente e sensível,coisa rara de se combinarem se tratando de uma mulher.Que seja tão meiga e intensacomo essa que não tem defeitoQue sinta assim em demasiamesmo que isso, não raro,a faça perder o senso de direção.Que seja assim tão doce,tão alegre, mesmo quando esta zangada.dai-me senhor, dai-me ela só para mim...
Meu coração está vazio.
Que horror!
A nau estancada em alto mar
sofre com o turbilhão da falta de destino.
As ondas me jogam de lá e pra cá,
e não há nenhum porto mulher
em que eu possa me abrigar.
Rumo para onde apontar o meu prumo,
farol para dirigir o meu amor.
Não encontro entre as damas do meu cotidiano
aquela capaz de movimentar o meu sonho.
Oh, como sinto pela falta de um favo,
de um seio alvo ou negro mamilo ao qual desejar.
Oh! Como se assombra o imenso pavor
de nunca mais amar!
Abro as velas brancas e de braços cruzados
me deixo governar pelo sem sentido deste instante.
Conjuro sereias, quero me embriagar no seu canto,
me afogar, sem temer os profundos do mar.
O que me mata são as superficies imensas,
agitadas, tristes e sem esperança.
Gosto de mulher manteiga
que se derrete toda ao toque do calor
que se mela de tesão
antes de tudo e por pura expectativa.
Não que queira mal as demais,
mas as prefiro, essas àquelas,
em sua competência pra gozar
de olhos bem abertos, porque não?
Ou fechadinhos, mergulhada na imensidão!
Gosto de respirar com ela, boca ventosa
que me lambe , me come, me serve
do ar viciado do seu pulmão.
Gosto do seu corpo que cola
como a lava de vulcão
amalgama de cio que me cobre e veste.
Gosto do invariável macio de sua pele
musculatura flácida ao toque
elástica e plástica em passividade ativa,
atenta para se dar mais e mais
recepcionista gentil,
hospedeira entusiasmada do meu pau!
Gosto,do seu gosto em ser tomada
domada, intensa, em sua passividade
artista da intenção de ser, infinitamente,
ao modo de quem não é.
e vi que o tempo da espera já tinha passado.
E que eu, mesmo sem saber,
esperava algo de ti
que nem mesmo sabia saber o que era...
E que havia algo de comum
nessa curiosa situação
de se esperar algo de alguem,
que nem se sabe mesmo o que é:
de ti eu ja havia esperado tanta coisa
que eu achava que sabia o que era
e que hoje eu já não sei mais
e era de ti que ainda esperava.
Então caso você não tenha esse gosto
em só me fazer esperar
me envie logo isso,
isso que eu nem mesmo sei o que seja
para que eu possa voltar a saber
se ainda existe alguma coisa em mim
que eu ainda devo esperar de ti.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Já não temos mais na noiteos bebados inconvenientesa desafiar, raivosos e falastrões,ao coro dos contentes.Bebados que param o trânsito do bar, que vociferam, chamamde todos a atençãopara a sua desconformidadepara com a ordem das coisas.
Ordem injusta e opressoraque nos inclui a todos
sonâmbulos e dóceis,
a qual aceitamos
e fingimos não ver.
Hoje pululam os bêbados,solitários ou não,silenciosos sempresofrem calados, culpados,afogam as mágoas no alcoolmas não perturbam a ninguém.
Já não se fazem mais bebados
como os de antigamente.
Não me faltam os que me repreendamInclusive uma parte de mim mesmo:És um presunçoso, repetem-me, repito-me.Queres demais, ó inseto, chamado homemDe uma vida que nunca te fez essas promessas. Reivindicas como uma fera ferida,Paraísos de encontros, vozes cálidas que te ouçam sempreRegaço morno que te acolhaE que nunca te digam não. E tornas este quadro mais patético,ao insistires nesse equivoco maiordeste estado de engano geral que não reconheces, como a vida, a tua própria:Querer que o que tu queres,Seja-te dado, ó, por um outro humano,por um outro humano. Desejo insano! Que eles não são feitos para dar,antes, são, como tu,que te julgas neste momento, estares lá no alto,acima dos demais.O que queres, não é senão o que todos querem,Só delicias e cousas e tais, Querem o tempo todo, como tu:Sempre receber, receber, receber,ingratos e insaciáveis sugadoresde tudo o que lhes pode dar o maior prazer, ter do outro, o tudo igual, o tudo total,que à ninguém se dispõem à dar.
domingo, 27 de abril de 2008
Busco gotas de sentido,
Perdidas nas frestas do mundo.
Vida e morte que não para,
No sucesso das gerações
escamas de dentro para fora
no ventre do tempo-rei
que vêm e que vão,
num ritmo cego humanidade,
estertor permanente dos partos e dos velórios.
Epitélio gasto e descartável me sabe
Célula opaca e cansada, eu sou.
De um tempo que já foi o meu,
não será jamais.
O fogo celeste renova incessantemente a natureza,
E somente a nossa estupidez sustenta
Extrair das memórias a ilusão
Que o mundo já foi melhor um dia: terá sido?
Tempos de antes, quando éramos jovens.
e a inconsciência tudo nos permit
Ao gosto do freguês: sexo, drogas e rock in roll
Utopias, gente jovem reunida.
Mas o mundo hoje, é hoje,
ainda que ele não seja,
tanto assim para mim.
Tanto quanto terá sido um dia. Terá sido?
Na bizarrice do gozo, sexo, comida e consumo
Nunca houve nada de novo sob o sol
que se põe todo dia-dia.
Tagarelice infindável,
tantas palavras ocas e vazias
Que nenhum sentido é capaz de traduzir.
Se não há nada de novo para dizer
Porque então insistir na poesia?
sábado, 19 de abril de 2008
//O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz incovenientemente, não procura os seus interêsses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.//
Mundos partidos, parte de mim, parte de ti.
Partindo me levas consigo. Em parte.
Partindo, ficas em mim. Em parte.
Ficas e levas, nos pedaços perdidos,
fora do comum. Do comum de dois.
O que eu tanto sei de ti,
o que tanto sabes de mim,
não nos faz um saber de nós:
"vida , vento leva-me daqui".
Nossa senhora Desatadora dos Nós,
valei-nos, nessa hora!
sábado, 8 de março de 2008
Desconsolo.
Pernas cansadas,
atrás das dunas, mais dunas.
Tudo igual, sem destino final.
Enfado, tanta areia
que desliza sobre os pés,
não me leva a lugar algum.
Lugar comum.
Chuva fina que cai,
horas a fio. Infindável.
Molha-me, mas não me lava.
Escorre secular, tortura úmida,
lembrança irritante que insiste
em me dizer, impotente,
que o sol, talvez
não volte mais a brilhar.
Desesperança, matéria densa,
que me constitui e me faz lama.A mim, matéria prima orgânica
de fim anunciado.
Oh, o fim! Certeza, que não chega ao fim.
Tudo finda, menos esperar pelo fim.
Oh, quanta magia,nas folhas de um dendezeiroque se agitam,velozes ao vento.Não haverá por certoformula matemáticacapaz de descrevero seu intenso movimento!